quarta-feira, 14 de julho de 2010

Anastasia decide manter estratégia de campanha

O governador Antonio Augusto Anastasia (PSDB), que tenta a reeleição ao Palácio da Liberdade, não vai alterar seu ritmo de campanha em função da intensificação das viagens do adversário, o senador Hélio Costa (PMDB). Os tucanos dizem não estar preocupados com as movimentações do peemedebista, que aumentou a presença no interior, e alegam que, apesar de estarem perdendo nos últimos levantamentos de opinião sobre o pleito, suas pesquisas qualitativas internas dão tranquilidade e mostram situação favorável a Anastasia.

O candidato tucano passou a terça-feira em reuniões internas e tratando da organização de agendas políticas com o secretário de Governo, Danilo de Castro, que deixa a pasta esta semana para coordenar as ações políticas de Anastasia na corrida eleitoral. Nos primeiros dias de campanha, Anastasia foi apenas à Serra da Piedade, na Região Metropolitana de BH. Enquanto isso, Hélio Costa foi a Cataguases, Montes Claros, Curvelo, Vespasiano, Betim e nesta quarta vai a Ouro Branco, Congonhas e Nova Lima. “Não temos nenhum tipo de preocupação com a campanha do nosso adversário. Traçamos um roteiro, uma estratégia de campanha, e isso está sendo rigorosamente cumprido”, afirmou o secretário. Danilo de Castro lembrou que o tucano esteve em Washington semana passada para assinar convênios com o Banco Mundial, mas disse que nesta quarta ele retoma as visitas políticas.


Juliana Cipriani - Estado de Minas

Leonardo Augusto - Estado de Minas

Publicação: 14/07/2010 07:00 Atualização: 14/07/2010 08:13

Merenda estudantil terá alimentos da agricultura familiar

Com a volta às aulas, no próximo dia 26 de julho, os 500 mil alunos da rede pública de ensino do Distrito Federal terão um reforço no lanche. A partir do segundo semestre letivo, parte da merenda escolar será composta de alimentos produzidos por agricultores familiares do DF. Três organizações assinaram, nesta segunda-feira (12) os contratos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e passarão a vender o que produzem para as escolas da Capital Federal.

A Associação dos Produtores Rurais de Alexandre Gusmão (Aspag), a Associação dos Produtores Rurais de Sobradinho (Aspraf) e a Cooperativa Agropecuária de São Sebastião (Copas) são as entidades beneficiadas. No total, serão repassados quase R$ 2 milhões às instituições.

O PNAE — uma modalidade do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) — reserva uma fatia mínima para os empreendedores familiares. Eles precisam estar organizados em instituições registradas com a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) jurídica. Cada associado precisa ter a sua própria DAP.

A Emater-DF é responsável por identificar, cadastrar e orientar os produtores interessados em participar do programa. Além disso, a empresa deverá informar à Secretaria de Educação quais os gêneros alimentícios que poderão ser repassados para as escolas.

Segundo o gerente de Desenvolvimento Econômico da Emater-DF, Renato Dias, trata-se de um mercado cativo para a agricultura familiar. “A verba para alimentação estudantil é garantida por lei. O programa fortalece o associativismo e promove o resgate da cidadania, não só para os agricultores como para os alunos”, aponta. Segundo Renato, uma das principais metas da extensão rural é levar renda para o produtor. “Esse tipo de programa gera, a médio e longo prazo, desenvolvimento econômico das regiões de produção”, acrescenta.


Rinaldo Costa — Assessoria de Comunicação EMATER-DF

Extensão rural, segurança alimentar e educação: Uma receita de sucesso

Mudança de hábito alimentar, geração de renda, valorização das potencialidades regionais, valorização dos produtos regionais, maior valor nutricional, combate à fome, promoção do desenvolvimento econômico e social, são ingredientes de uma receita que fará a diferença no ensino público e nas comunidades rurais.

Para fortalecer ainda mais a comercialização dos produtos da agricultura familiar e contribuir com a melhoria de vida, tanto no que se refere à segurança alimentar nas escolas públicas, quanto o desenvolvimento econômico em comunidades rurais, por meio da comercialização dos seus produtos, o governo do estado por meio da Secretaria Estadual de Educação e do Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins – Ruraltins realizam nesta segunda e terça-feira, (05 e 06) uma capacitação para servidores das escolas estaduais, municipais e técnicos do Ruraltins, sobre aquisição de gêneros alimentícios da agricultura familiar para alimentação escolar. O evento acontecerá no auditório da Diretoria Regional de Ensino – DRE, a partir das 8 horas.

A Lei 11947/2008, do governo federal, estabelece que no mínimo 30% dos recursos financeiros repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), devem ser utilizados para compra de produtos dos agricultores familiares, tendo prioridade agricultores de assentamentos da reforma agrária, comunidades tradicionais, quilombolas e indígenas.

Para efetivar a aquisição dos alimentos e informar melhor os servidores, a Secretaria Estadual de Educação – SEDUC, em parceria com o Ruraltins já realizou diversos treinamentos em todo estado, que beneficiaram técnicos do Ruraltins que atuarão como articuladores e mobilizadores dos agricultores, diretores e gestores administrativos das escolas e servidores das prefeituras municipais que aderiram ao termo de parceria ao programa. Parceria essa, que visa implementar as políticas públicas no Tocantins. “Muitas capacitações já foram realizadas, significando um grande avanço, uma ferramenta que tem como objetivo principal a diversificação na alimentação escolar, fortalecer o mercado local e incentivar a produção e comercialização dos produtos, aquecendo o setor agropecuário nas comunidades rurais, diz o responsável pelas capacitações Adenieux Rosa Santana.

De acordo com José Elias Júnior, presidente do Ruraltins a Lei beneficia todos os agricultores familiares, desde que se enquadrem nos requisitos estabelecidos, bem como as escolas estaduais e municipais. “Hoje, o Tocantins conta com aproximadamente 43 mil agricultores que produz e precisam comercializar sua produção. Esse programa vai oportunizar geração de novos postos de trabalho, crescimento da produção e aumento de renda no meio rural, de forma justa e sem a presença do atravessador. Era o que os agricultores familiares precisavam”, comemora Júnior.

As capacitações já beneficiaram mais de 800 profissionais da educação e do Ruraltins, das regiões de Araguatins, Araguaína, Taguatinga, Gurupi, Colinas e Miracema. Ainda este mês, serão beneficiados os municípios de Palmas (07 e 08) e Paraíso (09), finalizando em agosto, na região de Porto Nacional. A previsão até agosto é beneficiar mais 450 pessoas.

Como Participar do Programa:

Os agricultores devem procurar a direção das escolas estaduais e o Ruraltins para orientações com relação aos documentos exigidos, como a Declaração de Aptidão (DAP), sobre a produção dos alimentos, comercialização dos produtos e realização de cadastros.

O que pode ser comercializado:

A princípio são frutas, hortaliças, farinha, arroz, feijão, leite pasteurizado, produtos processados, entre outros e só poderá ser comercializada a produção da unidade familiar, ou seja, do próprio agricultor.

Iranilde Gonçalves

Brasil pode ter mais fazendas exportando carnes para a União Europeia

Avançam os entendimentos para que o Brasil tenha mais fazendas habilitadas à exportação de carne bovina para os países da União Europeia (UE), disse ontem (13/07/10) o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, que está chefiando uma missão brasileira em Bruxelas, na Bélgica, para tratar de algumas negociações do setor agropecuário exportador no bloco econômico.

"Há uma disposição de credenciar um numero maior de propriedades, indicado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e que depois poderá ser auditado por eles [União Europeia]", afirmou o ministro por meio de teleconferência com jornalistas. Atualmente, a UE tem exclusividade na composição da lista de fazendas brasileiras habilitadas a exportar para o bloco. "Isso limitou e dificultou muito nossas exportações", disse Rossi.

A queda no volume embarcado para a UE vem se recuperando aos poucos desde 2008, quando a União Europeia embargou as importações de carne bovina brasileira por deficiências no sistema de rastreabilidade nacional. O ministro disse que ainda deve levar alguns anos para o país retomar o patamar de vendas de 2007, antes do embargo.

"Atualmente temos apenas 2 mil fazendas habilitadas, um número muito pequeno que precisamos ampliar rapidamente. Mas houve por parte da União Europeia essa abertura para indicarmos mais propriedades, com eles tendo o direito de inspecionar a qualquer momento", afirmou.

Rossi disse que ainda existe algum preconceito em relação à carne brasileira. "Há uma desinformação grande e isso gerou preocupação no consumidor europeu em relação à carne e outros produtos vindos do Brasil. Introduziram algumas questões ambientais como se o Brasil tivesse fazendo uma agricultura de destruição da floresta".

Segundo o ministro, a desmistificação dessas informações preconceituosas está sendo trabalhada diretamente pelo Ministério da Agricultura entre os comissários do bloco europeu.

FONTE
Agência Brasil
Danilo Macedo - Repórter
Aécio Amado - Edição

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Servidores públicos municipais se mobilizam para cobrar benefícios

Aconteceu na noite da última segunda-feira, 05, no auditório Geraldo Freire, anexo à câmara municipal, assembleia dos servidores públicos municipais, oportunidade em que se reiterou as reivindicações da categoria junto à administração municipal. Lembrando que o reajuste que o sindicato deseja no sentido de corrigir as perdas oscila em torno de 9,2%. Já o reajuste por categoria varia de 15 a 40%. Em relação aos professores, hoje o salário é de R$ 816 e a categoria quer a implementação do piso nacional, de R$ 1.312. Durante a assembleia, servidores exigiram do sindicato que envie carta convite ao prefeito Tadeu Leite, solicitando a presença de Leite em outro encontro, marcado para acontecer na próxima quinta-feira, também no sal Geraldo Freire, quando pretendem levar as reivindicações da categoria.

A professora da rede municipal Maria Inês dos Santos afirma que a categoria precisa de salário e justiça. Ela cobra ainda do município o piso nacional para os professores, que foi uma promessa de campanha do prefeito.

- O piso nacional é lei, filosofia de barriga vazia não adianta nada. O que interessa é o cumprimento da lei que estabelece o piso nacional para os professores - disse.

O presidente da associação dos vigias, Miguel Alves dos Santos, cobra da administração municipal a implementação do adicional de 30% ao salário, pois os profissionais correm risco de morte no cumprimento de suas funçoes. Segundo Miguel, os aproximadamente 600 vigias que trabalham zelando pelo patrimônio do município devem ser beneficiados.

- Tivemos uma reunião com o prefeito no mês de fevereiro e ficou acertado que em maio já receberíamos os 30% de risco de vida, mas, até hoje nada. Cobramos o cumprimento do que foi prometido e exigimos a presença do prefeito na quinta-feira, na reunião com os servidores - disse.

O presidente jurídico do sindicato dos servidores municipais, Valmore Edi, afirmou à reportagem de O NORTE que, em recente reunião com o prefeito Tadeu Leite, este solicitou que as reivindicações fossem levadas à procuradoria jurídica, o que foi feito. Entretanto, o processo de negociação não avançou. Segundo Valmore, o prefeito disse que não poderia conceder um aumento baseado na inflação, o que é considerado pouco para os servidores, mas, valor considerado alto para a administração municipal.

O sindicato cobra também o pagamento do Fundeb - Fundo de manutenção e desenvolvimento da educação básica e de valorização dos profissionais da educação a cerca de 180 professores referente ao ano de 2008.

Samuel Nunes
Repórter

CIDADES NORTE-MINEIRAS NA LISTA DAS PIORES

Conforme o Índice Firjan (Federação das Indústrias do Rio) de Desenvolvimento Municipal, ano 2006, aponta que o município norte-mineiro de Cônego Marinho, foi que mais cresceu na região. Em 2005, apresentou índice de 0,3966, o que não é nada satisfatório, e em 2006, foi para casa de 0,5460, crescimento de 39,9%. Cônego Marinho aparece na lista das dez cidades que melhoraram no quesito qualidade de vida. Por outro lado, a miserável Ninheira, no extremo norte, aparece no índex dos municípios cujo nível da qualidade de vida caiu. Em 2005, Ninheira apresentava índice de 0,5950, e no ano seguinte caiu 37%, marcando 0,4302.


VIDA

No Brasil, as cidades com melhores índices de qualidade de vida, conforme levantamento da Firjan, ampliaram a oferta de emprego, elevando a renda, educação e saúde. Montes Claros aparece em 34º no Estado e em 418º entre os municípios brasileiros, com pontuação de 0,7617. As dez melhores cidades do país têm índices que variam de 0,9030 (Louveira –SP) a 0,9524 (São Caetano do Sul- SP). Montes Claros perde no Estado para municípios como Uberlândia, Carbonita, Varginha, Juiz de Fora, Matozinhos, Contagem, Pouso Alegre, Itabira.


MISÉRIA

No Norte de Minas, os municípios melhor colocados são Várzea da Palma ( 87º no Estado e 951º no País ); Mirabela ( 241º- 1.889º); Janaúba ( 256º- 2.333º); Porteirinha (366º - 2.409º); Januária (429º - 2.684º); Jaíba (431º - 2.687º); Patis (462º - 2.808º); Bocaiuva (472º - 2834º); Engenheiro Navarro (480º - 2.863º); Itacarambi (499º - 2.932º); Espinosa (512º - 2.984º); Capitão Enéas (579º - 3.232º); Guaraciama (593º - 3.323º); Claro dos Poções (599º - 3358º [índice de 0,5638] ); Olhos-d’Água (604º - 3393º [índice de0,5617] ); Taiobeiras (614º - 3.436º [índice de 0,5588] ); Manga (624º - 3.488º); Brasília de Minas (628º - 3.503º); Buritizeiro (631º - 3.515º); Cristália (638] – 3.523º; Veredinha (642º - 3.575º ); Francisco Sá (645º - 3.600º [ índice de 0,5487] ); Lassance (646º - 3.606º); Cônego Marinho (655º - 3.631º ); Coração de Jesus ( 657º - 3.649º [ 0,5447]); São João da Ponte (669º - 3.716º [ 0,5407] ); Lontra ( 676º - 3.752º ); Grão Mogol (680º - 3.752º); Mamonas ( 686º - 3.780º); Nova Porteirinha ( 694º - 3.827º); Catuti (695º - 3.834º); Berizal (698º - 3.844º ); Gameleira (702º - 3.876º [0,5302] ); São Francisco (703º - 3.879º [ 0,5300] ); Francisco Dumont (705º - 3.894º); São João do Paraíso ( 707º - 3.898º); Itacambira ( 712º - 3.916º [ 0,5280] ); Monte Azul ( 713º - 3.919º [ 0,5278] ); Japonvar ( 726º - 3.996º). Depois seguem: Padre Carvalho, Montalvânia, Luislândia, Campo Azul, Botumirim, Ponto Chique, São João da Lagoa, Rubelita, Rio Pardo de Minas, Pedras de Maria da Cruz (761º no Estado e 4.241º no Brasil); Juvenília.


PIOR

Os municípios a seguir ficaram com índice abaixo 0,5000. Josenópolis, Jequitaí, Fruta de Leite, Riacho dos Machados, Pintópolis, Montezuma, Indaiabira, São Romão (790º no Estado e 4.496º no Brasil); Icaraí de Minas (798º e 4.570º -índice de 0,4862); Juramento (799º - 4.587º - índice de 0,4816); Varzelândia, Pai Pedro – índice de 0,4810; Chapada Gaúcha, Ibiracatu, Matias Cardoso, Miravânia, Ibiaí, Verdelândia, Santo Antônio do retiro (829º no Estado e 4.891º no País- índice de 0,4620); Lagoa dos Patos, São João das Missões, Ninheira, Santa Cruz de Salinas, Bonito de Minas, Novohorizonte (851º - 5.335º - índice 0,4209), e na rabeira regional São João do Pacuí ( 853º no Estado e 5.531º no País- índice de 0,3667).


COFRE

O levantamento mostra que há uma interiorização do desenvolvimento. Entre os 100 melhores municípios, 79 têm menos de 300 mil habitantes. Por outro lado, fica evidente que muitos administradores entram para a história como inoperantes, incompetentes e, muitas vezes, irresponsáveis. Assumem compromissos para não cumpri-los. Enganam e o povo passa ao largo, vivendo no engodo de que um dia haverá vida melhor. E não há.


AVANÇO

A feira de artesanato em Montes Claros tem fama pela qualidade e diversidade. Mas os artesãos poderiam obter maior lucro. Uma empresa propôs oferecer operações através de cartão de crédito, o que facilitaria e muito as transações comerciais com os clientes. No entanto, por faltar documento da Prefeitura reconhecendo a legalidade da feira, o benefício ficou distante. Até o presidente da Câmara, Athos Mameluque (PMBD), foi acionado. Tempo perdido. Talvez o secretário de Desenvolvimento, Edgar Santos, dê jeito para se vislumbrar a modernização.


ARTE

Montes Claros é uma cidade que tem graves problemas para gerar empregos. A feira de artesanato é um bom caminho para inserção socioeconômica, valorizando a arte e a cultura regionais. O Sebrae pretendeu profissionalizar ainda mais os artesãos locais, mas a iniciativa também caiu em marcha lenta. O apoio deve incluir o interesse da administração municipal. Veja que no primeiro dia das festas de agosto, todas as barraquinhas foram iluminadas, exceto as dos artesãos, o que foi contornado somente no segundo dia.


GARFO

Montes Claros perdeu verba da merenda escolar por cochilo da Secretaria Municipal de Educação. O prefeito Luiz Tadeu Leite vai recorrer e resgatar a verba de 130 mil reais barrada pelo Ministério da Educação. Quem muito cochila pode acabar em sono profundo nos braços de Morfeu, longe de Oniro e amante de Tânatos.


URNA

A Assembleia Legislativa fará em Montes Claros uma tribuna para discutir cronograma de execução das obras da BR-135. Política, pura política. E povo deve adorar este me engana que eu gosto.


LUCRO

As obras da BR-135 estão dando um pequeno lucro aos moradores das margens da rodovia. A brita que sobra é toda carreada para as propriedades rurais, sendo aplicada como adubo. Mas há quem de montinho em montinho também consiga alguns trocados, vendendo o que lhe vem de graça. Muitos outros obtêm lucro vendendo café, biscoitos, CDs e água mineral aos motoristas que ficam esperando a pista ser liberada.


RODOVIA

Está faltando cimento para os depósitos de Montes Claros. Quase noventa por cento da produção da Lafarge está indo direto para as obras de reconstrução da BR- 135. Os comerciantes estão sendo obrigados a enfrentar agenda de distribuição para garantir pelo menos uma cota semanal de cimento. E a construção civil cresce de andaime em andaime.


SINAL

A época já é propícia, mas a região de Lagoinha e Planalto Rural, saída de Belo Horizonte, está infestada de carrapatos. Há mais de 15 anos, naquela mesma região, foi registrada uma morte por febre maculosa, doença causada pela bactéria Rickettsia rickettsii e transmitida pela picada do carrapato das espécies Amblyomma aurelotum, que é conhecido como carrapato-amarelo-do-cão, ou Amblyomma cajennense, chamado de carrapato-estrela, carrapato-de-cavalo e tem o rodoleiro.

Fonte:

Tão jovem, tantas dívidas



O número de jovens e adolescentes endividados está crescendo. Por que eles gastam mais do que têm, e como evitar o desastre financeiro
Daniella Cornachione e Marcos Coronato

TRAUMA
Simona Lima em seu apartamento, no centro de São Paulo. Quando tinha 20 anos, a publicitária fez uma dívida excessiva no cartãoSimona Lima, de 22 anos, é publicitária, tem emprego e mora sozinha em um apartamento numa área de classe média em São Paulo. Simona pode até parecer uma jovem em situação financeira estável, mas seu estilo de vida encobre uma dívida de R$ 6 mil, iniciada há dois anos. Ela mal consegue abastecer de créditos o celular pré-pago. A publicitária faz parte do universo crescente dos inadimplentes muito jovens. Gente que, antes mesmo de se firmar na vida produtiva e ter renda regular, passa por todo o ciclo do endividamento: recebe oferta de crédito, decide usá-lo, exagera na dose e deixa de pagar as dívidas.

A tendência, detectada há alguns anos, agora explodiu. No primeiro semestre de 2010, em São Paulo, a parcela de não pagadores com até 20 anos dobrou em relação a 2009: foi de 4% para 8%. Em 2000, esses jovens eram apenas 2% dos inadimplentes, informa o Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo. “O jovem brasileiro tem pouca informação sobre como usar o dinheiro. Estamos percebendo isso mais claramente agora por causa da expansão da oferta de crédito”, diz Maria Inês Dolci, coordenadora da ONG ProTeste, de defesa do consumidor. Outra pesquisa sugere que as famílias de classe média são as mais ameaçadas pelo problema.

O caso de Simona oferece várias pistas sobre como as decisões dos jovens e de seus pais levam ao endividamento desnecessário e excessivo. Depois que a mãe e sua companheira se separaram e mudaram de cidade, a moça ficou morando sozinha em São Paulo. Alugou um apartamento menor, mas ficou sem mobília. “Tive de comprar geladeira, micro-ondas, pratos, toalhas, cobertores e mais um monte de coisas”, diz. Ela conseguiu um cartão de crédito de uma loja de varejo, o primeiro que teve na vida, e ficou impressionada com a facilidade com que obteve o dinheiro emprestado na forma de plástico. “Eu tinha 20 anos, era estudante, sem trabalho, e me deram um limite maior que o último salário que eu tinha recebido como estagiá­ria”, afirma. A concessão de crédito a pessoas físicas no Brasil mais que dobrou desde 2005: passou de R$ 138 bilhões para cerca de R$ 300 bilhões no ano passado.

Com o cartão, Simona passou a receber descontos nas compras. Gastou R$ 1.000 na loja. A mãe prometeu ajudar a pagar a conta, mas entrou numa fase financeira difícil. Assim, a jovem se viu no meio do curso universitário, no fim de um estágio e sem poder mais contar com o dinheiro da mãe. Não conseguiu pagar nem a segunda parcela das compras, de R$ 100. As escorregadelas financeiras contidas na história são facilmente cometidas por quem começa a lidar com crédito ou encontra de repente possibilidades de consumo superiores às permitidas pela renda real. Há algumas dicas básicas para evitar essa situação. Uma é nunca fazer dívidas contando com renda futura incerta. Outra é poupar sempre com algum objetivo claro, como incentivo, e com horizonte de tempo compatível com a idade do interessado – “longo prazo” tem significados diferentes para um jovem de 18 anos e um adulto de 48.

“Meu conselho é considerar sempre o rumo de sua vida – onde você quer estar em um ano, cinco anos? Quais são seus objetivos? Isso pode ser entendido por qualquer jovem”, diz Cássia D’Aquino, especialista em educação financeira para crianças e adolescentes. “Quando você sabe aonde quer ir, faz escolhas adequadas. Se não consegue definir isso, vai comprar tudo o que quiser hoje, porque está fixado no agora.”

O problema pode estar nascendo antes da chegada do jovem à vida adulta. Os lares nas grandes cidades em que moram filhos de 12 a 19 anos têm gastos mensais 5% superiores à renda, na média, segundo uma pesquisa da Kantar WorldPanel, empresa de estudos de consumo, que acompanhou os hábitos de 8.200 famílias no país ao longo de 2009. Isso significa que, com filhos adolescentes em casa – incluindo jovens na fase de ingressar na faculdade e procurar o primeiro emprego –, as famílias tendem a se desfazer da poupança ou acumular dívidas (na média, essas famílias buscam mais renda e ganham mais, mas não o bastante para compensar os gastos – leia o quadro na ao lado). Lares em que os pais vivem com filhos ainda crianças ou já adultos tendem a mostrar contas mais equilibradas.

O adolescente que gasta demais e não vê exemplo de comedimento financeiro na família pode virar um jovem adulto devedor. “Há uma nova geração que já cresceu vendo os pais usar sempre o limite do cheque especial e comprar a prazo, em longas prestações, com juros altos”, diz Marcelo Segredo, presidente da Associação Brasileira do Consumidor (ABC). Esse exemplo pode levar o jovem a tentar iniciar a vida independente mantendo o mesmo padrão de vida, mesmo sem dispor da mesma renda da casa dos pais. “Quem tem pouca idade precisa prever que vai receber salários menores e ficar mais tempo desempregado”, diz Mirela Scarabel, economista da consultoria LCA. “Essa falta de estabilidade dificulta o controle da vida financeira.” De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a faixa de idade dos 15 aos 24 anos é a que mais sofre com o desemprego no país.

Nessa situação, fica mais difícil resistir à tentação de usar o cartão de crédito. De acordo com uma pesquisa da consultoria Gfk, 90% dos consumidores afirmam ficar mais suscetíveis a comprar em lojas que aceitem cartões (de débito ou de crédito). “O cidadão está se endividando mais cedo e de forma irresponsável. As tentações sempre existiram, mas no começo da década era muito difícil ter um cartão de crédito”, afirma a educadora financeira Cássia D’Aquino.

Mesmo antes da adolescência já é possível ter cartão – há pré-pagos feitos para crianças, que precisam ser recarregados pelos pais. Se nenhum adulto ensinar à criança que usar o cartão é uma decisão e significa gastar o dinheiro da família, ela poderá não associar as duas coisas. A educação ou deseducação financeira continua na adolescência, quando o jovem pode ter um cartão como dependente do pai ou da mãe. Na fase seguinte da vida, no começo da vida adulta e na universidade, o jovem se torna a grande aposta dos bancos. Há 5 milhões de universitários no Brasil, e as empresas que oferecem empréstimos e cobram juros tentam conquistá-los nessa fase, com cartões de crédito e outros mimos, como abrir conta sem precisar comprovar renda. “Quanto antes o banco pegar o correntista, mais tempo fica com ele”, diz Marcos Calliari, diretor da Agência Namosca, especializada em estudar o público jovem. As instituições financeiras calculam que 80% desses novos clientes continuam correntistas depois de terminar a faculdade.

Ter conta em banco desde cedo não significa endividamento, muito menos inadimplência. É importante que o jovem entenda e pense em cada passo do processo: receber uma oferta de crédito, aceitar que ela fique à disposição (ele poderia recusá-la, para evitar a tentação), usá-la dentro de limites seguros ou usá-la fora desses limites. “O jovem que consome com consciência deveria usar dinheiro real, e não fictício, como é aquele que ele pega emprestado”, diz Segredo, da ABC.

Além da tentação do uso do crédito, que pode se apresentar de várias formas, alguns jovens têm dificuldades para conversar a respeito com a família e pedir ajuda. O estudante Luiz Carlos de Lima Júnior, de 21 anos (sem parentesco com Simona), não só usou o cheque especial, como ultrapassou o limite previsto pelo banco. “Eu sabia que a bomba ia estourar em algum momento, mas o medo de pedir ajuda a meu pai foi maior”, diz. A dívida foi feita em uma viagem com amigos. Lima gastou mais do que havia recebido em seu estágio. “Eu usei uma parte para cobrir as dívidas que já tinha e o que sobrou guardei para a viagem. Mas pensei que tinha sobrado mais, e acabei gastando além do que podia.” Uma vez que a dívida foi feita, é hora de pensar na melhor forma de lidar com ela. Tomar a iniciativa é uma boa ideia. Lima esperou que o problema crescesse e o banco o procurasse. Simona fez um acordo com a rede de varejo.

Inadimplência não é boa nem para os bancos. Hoje, instituições como a Visa têm programas de educação financeira acessíveis a adolescentes e jovens, que ajudam os novos clientes a usar os benefícios com responsabilidade. O Banco Central promove palestras para universitários e mantém um site com dicas para o público infantojuvenil. O Banco do Brasil, com 1,3 milhão de clientes universitários, oferece palestras em escolas para alunos de 12 a 17 anos. O Bradesco tem uma “central de dicas” no site sobre contas universitárias. Lidar com essa faixa etária, porém, é difícil.

Especialistas em finanças dizem que os pais devem permitir que os filhos percebam os resultados de seus erros financeiros, em vez de poupá-los dessa experiência. “O aprendizado vem ao longo da vida. Você tende a consumir na primeira vez tudo o que pode, até ficar com dor de barriga. A partir daí, aprende com as consequências”, diz Calliari, da Namosca.
FONTE: Revista Época